Mais um post sobre amor.
Desta vez, em ensaiar antes.
Quero escrever o que vem na minha cabeça.

Me despedi agora, às 00:00 de uma pessoa que eu conheci no ínicio deste ano – mais ou menos por março – que foi estranhamente a melhor coisa que eu me aconteceu durante todo o ano. Ficarei mais de 9 meses sem contato físico com ela, depois de alguns meses que podem ser considerados como “fictícios” de tão bons.
Nunca tinha me sentido assim, amado for real.
Mesmo que seja mentira, e que o amor nunca vença nada, eu me senti dentro de um pequeno filme quando ela foi se distanciando de mim pelo vidro do portão de embarque do aeroporto.
Éramos, por fim, enamorados despedindo-se um do outro, mais uma “história de amor” como tantas outras, que no final, acaba-se por um capricho do destino, que insiste em levar para longe antes de se criar verdadeiras raízes no inconsciente da pessoa.
Por mais que eu saiba que provavelmente verei-a depois de 1 ano, agora, me vejo com a angústia de saber que ela vai estar longe do calor dos nosso corpos juntos.
É estranho e bonito como os nossos sentimentos tornam-se tão egoístas em tão pouco tempo de convivência, e, logo somos tomados por aquele sentimento de “perdi uma das melhores coisas da minha vidinha”.
Verdade, meu amor incondicional pertence à uma pessoa, outra pessoa, que por motivos “n” não quer mais que esse amor seja dela (nem sempre os amados querem ser amados, e, quase nunca escolhem ser amados) por isso mesmo, numa escala bem menor, eu amava ela e ela amava-me de volta. Será?
Não sei, mas prefiro acreditar que sim, que estes quase 7 meses ao lado dela quase todos os dias foram porque ela quis muito, assim como eu.
De todos os pensamentos que sempre povoam a minha cabeça, o mais destruidor é o de que amanhã acordarei de novo, só que em busca de novos desafios e novas conquistas. Somos assim, nós humanos, seres imperfeitos que necessitam de mais imperfeições advindas dos outros seres mais imperfeitos ainda. Quando duas imperfeições se unem, somos perfeitos.
Quero
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.Carlos Drummond de Andrade
E depois, Londres nem é tão longe mesmo.
